O LIVRO DA MADRUGADA

As trevas do meu caminho
Vão sumindo no poente
Minha aurora sorridente
Desperta em leito de linho

Meu coração bate ardente
Cheio de amor e carinho
Embriagado com o vinho
Dos amores que já sente

Eu pressinto na alvorada
Perfumes de que a jornada
Deixará minh'alma plena

Minha musa será serena
E vou tanger a minha pena
No livro da madrugada.

O PARLAPATÃO LOQUAZ


BONEQUINHA DE LOUÇA

Como cândida garça que flutua
No horizonte sombrio de um açude
Como a pluma fugaz que ao vento rude
Traz beleza nas curvas que insinua

Passa sempre na minha triste rua
Aquela silhueta que me ilude
Ora é deusa quebrando a solitude
Ora sombra sutil à luz da Lua

Que delírio me causa essa paisagem
Quanto sonho desperta aquela imagem
Quando a vejo sorrir com tanta graça

Bonequinha de louça tão bonita
Não existe soneto que reflita
O que sinto no peito quando ela passa.