O LIVRO DA MADRUGADA

As trevas do meu caminho
Vão sumindo no poente
Minha aurora sorridente
Desperta em leito de linho

Meu coração bate ardente
Cheio de amor e carinho
Embriagado com o vinho
Dos amores que já sente

Eu pressinto na alvorada
Perfumes de que a jornada
Deixará minh'alma plena

Minha musa será serena
E vou tanger a minha pena
No livro da madrugada.

O PARLAPATÃO LOQUAZ


BONEQUINHA DE LOUÇA

Como cândida garça que flutua
No horizonte sombrio de um açude
Como a pluma fugaz que ao vento rude
Traz beleza nas curvas que insinua

Passa sempre na minha triste rua
Aquela silhueta que me ilude
Ora é deusa quebrando a solitude
Ora sombra sutil à luz da Lua

Que delírio me causa essa paisagem
Quanto sonho desperta aquela imagem
Quando a vejo sorrir com tanta graça

Bonequinha de louça tão bonita
Não existe soneto que reflita
O que sinto no peito quando ela passa.

PRANTO

Como é negro este céu! Vê como é baço!
Vê como é negra esta amplidão escura
Como é pesada a atmosfera impura
Como é tremenda a escuridão do espaço.

A natureza triste não murmura
Um som sequer, sequer o mais escasso
E no calor que sobe num mormasso
A alma da terra a luz do céu procura.

A chuva cai pesada e tristemente
Numa triste canção, canção dormente:
Que tristeza o poeta sente agora...

Quanta tristeza o poeta sente, quando
Vê no seu peito o coração chorando
Vê que, na Terra, a Natureza chora!

MEUS ANCESTRAIS

MI SUEÑO


Si acaso fueras mía
Cómo en mi sueño
Si acaso acá fuera el cielo
Cómo en el sueño

Si yo pudiera ser feliz
Cómo la luna insinúa y predice
Cómo yo te habría de querer!
Cómo yo te habría de querer!