VEJO VOCÊ!

Quantas flores à beira do caminho!
Como exala perfume a madrugada!
Como é belo o cantar da passarada
Gorjeando as delícias do seu ninho

A alegria cintila na alvorada
Como hino de amor e de carinho
Nas montanhas o Sol vem de mansinho
Dar um beijo à rolinha despertada

Meu coração de amante vê na Terra
A beleza que a madrugada encerra
E eu sorrio contente como quê!

Nas campinas, eu vejo um só motivo:
Um sorriso, um olhar, um beijo esquivo
Um aperto de mão... Vejo você!

BUCÓLICA

Na face avessa desse Apocalipse
Aleluias aprestam-se ansiosas
Urdindo cânticos de apoteose
Na retomada edênica do Gênesis.

Já te vejo passeando pelos bosques
Do nosso amor, na terra prometida
Advinho teus passos nas campinas
Como quem busca um ninho, uma pousada.

Que chovam arco-íris dos teus seios
Inundando do leite colorido
Que coleia o cosmos suculento.

E quero ver-te rir cada manhã
Bolando truques, tecendo sonhos
Iluminando, assim, nossos caminhos.

AL KORAN


SANTO ANTÔNIO

OH, SINO!

Oh, velho sino soluçando triste
Nos teus sentidos dobres de finados
Alguma coisa de humano existe
No teu planger, nos teus sentidos brados

Eu sinto que tens alma, pois, da torre
A tua voz se espalha e logo se conhece
Se estás chorando por alguém, que morre
Ou se oras do Ângelus a prece.

Quanta tristeza tenho, quando vais
Espalhando nos ares a oração
Que tens contida nos teus tristes ais.

Na minha alma, sino, sinto então
Que as tuas badaladas são iguais
As badaladas do meu coração.

O LIVRO DA MADRUGADA

As trevas do meu caminho
Vão sumindo no poente
Minha aurora sorridente
Desperta em leito de linho

Meu coração bate ardente
Cheio de amor e carinho
Embriagado com o vinho
Dos amores que já sente

Eu pressinto na alvorada
Perfumes de que a jornada
Deixará minh'alma plena

Minha musa será serena
E vou tanger a minha pena
No livro da madrugada.